Experimentando Métodos

Blog vinculado à disciplina de Metodologia de Pesquisa do curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF)

As diferentes formas de conhecimento

Segundo Alves-Mazzoti e Gewandsznajder, em “O método nas ciências naturais e sociais” (1998), a literatura sobre metodologia da pesquisa frequentemente considerou o conhecimento científico como superior em relação às outras formas de conhecimento. Este tipo de consideração e distinção pressupunha que havia fronteiras bem definidas entre o conhecimento formulado pelas ciências e os demais tipos de conhecimentos, visto que estes não seguiam os critérios tributários da tradição positivista, como parcialidade, neutralidade e objetividade.

Contudo, à medida em que os critérios do positivismo foram sendo questionados, o saber científico passou a ser compreendido enquanto um processo de construção inserido em contextos sócio-históricos – cuja observação empírica é permeada de pré-noções e teorias, não sendo pura e infalível como acreditava-se anteriormente – e o posicionamento de superioridade científica em relação a outros saberes começara a perder a sua pertinência. Neste sentido, outras formas de conhecimento também carregam consigo esquemas válidos de interpretar o mundo e, inclusive, permeiam o próprio conhecimento científico.

Para fins didáticos, fizemos um esquema com as características de alguns tipos de conhecimento (religioso, senso comum, filosófico e científico):

 formas de conhecimento

 

Embora tenhamos feito uma separação didática entre estes quatro diferentes tipos de conhecimento, devemos estar cientes que, no processo de apreensão do contexto que envolve o objeto, o sujeito-pesquisador pode penetrar essas diversas áreas de explicação da realidade. As autoras Lakatos e Marconi, em Fundamentos da metodologia científica (2003:80), fazem uma demonstração de como essas diversas áreas do conhecimento podem se inter-relacionar, dizendo que “ao estudar o homem, por exemplo, pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade, baseada no senso comum ou na experiência cotidiana; pode-se analisá-lo como um ser biológico, verificando através de investigação experimental, as relações existentes entre determinados órgãos e suas funções; pode-se questioná-lo quanto à sua origem e destino, assim como quanto à sua liberdade; finalmente, pode-se observá-lo como ser criado pela divindade, à sua imagem e semelhança, e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados”.

 

 

Referência bibliográfica:

ALVES-MAZZOTTI, Alda; GEWANDSZNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1998.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2003.

 

By | March 22nd, 2015